"Dia e Noite", M.C. Escher
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A lógica de Al Capone

Em 1929, Al Capone foi escolhido nos Estados Unidos como um dos homens mais importantes do ano, ao lado de gente como Albert Einstein e Mahatma Gandhi.
O chefão mafioso de Chicago foi um dos que mais lucrou com a Lei Seca. Controlava com violência o comércio de bebida, a prostituição, os clubes noturnos, pontos de jogos, bancas de apostas, etc etc etc. E insistia em se manter constantemente na mídia. Suas atividades ilegais eram de conhecimento geral. Mas ninguém ousava desafiá-lo.
Em 1931, Al Capone foi preso, julgado e condenado. Em outubro, começou a cumprir pena. Seu grande crime, no fim das contas, foi sonegar imposto de renda, o que pode ser considerado uma violação bastante irrelevante em comparação com as demais que cometeu.
É engraçado ver hoje, com a crise dos cartões corporativos, a discussão sobre grandes e pequenos crimes, como se os menores fossem sempre dignos de perdão. Al Capone teria aprovado essa lógica. E saido impune.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Valéry e os cartões corporativos

Da celeuma dos cartões corporativos, os federais e os paulistas, renasceu a interminável discussão sobre quem é mais ou menos corrupto, se os tucanos ou os petistas, e quais coberturas jornalísticas têm sido e são mais ou menos isentas.

Ante isso, não posso deixar de concordar com Paul Valéry, em frase citada como epígrafe de Claro Enigma de Carlos Drummond de Andrade:

"Les événements m'ennuient".

[Tradução livre: "Os acontecimentos me aborrecem".]

Melhor Valéry do que Valério.